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Grupo Vocal Entre Nós estreia “Morte e Vida Severina”

12.11.2018 / POR Londrinando

Grupo Vocal Entre Nós estreia “Morte e Vida Severina”

Espetáculo cênico-musical, baseado na obra de João Cabral de Melo, traz composições autorais e inéditas, além das conhecidas do grande público

 
O Grupo Vocal Entre Nós, de Londrina, está prestes a dar um passo importante na trajetória de oito anos com a estreia do espetáculo cênico-musical “Morte Vida e Severina”, que terá apresentação única no próximo dia 15 de novembro, às 20h30, no Teatro Ouro Verde. Nesta montagem, o grupo faz uma releitura que mostra a união entre música de canto coral, poesia e teatro baseados no clássico literário homônimo escrito em 1955 pelo pernambucano João Cabral de Melo Neto. Depois da estreia, o grupo circulará em 2019 por vários pontos e espaços públicos da cidade e região com apresentações gratuitas possibilitadas pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). A coordenação musical e preparação vocal é de Monique Kodama e direção cênica de Silvio Ribeiro.
 
O projeto londrinense é uma adaptação com composições autorais criadas por músicos do grupo, assim como arranjos exclusivos para várias vozes de canções já conhecidas do público de Chico Buarque e Airton Barbosa quando do lançamento do longa-metragem, em 1977, escrito e dirigido por Zelito Viana que tinha Elba Ramalho, Stênio Garcia e Tânia Alves no elenco. Já as melodias das músicas inéditas, neste caso, foram criadas todas em cima dos versos do poema pelos integrantes Flávio Collins, Bruno Bazé e Mariana Sella. Por sua vez, os arranjos de canções como “Funeral de um Lavrador” e “De Sua Formosura” foram feitos por Celso Branco, ex-integrante do grupo vocal “Garganta Profunda”, além de “Mulher na Janela” e “Todo o Céu e a Terra”, pelos londrinenses Paulo Vitor Poloni e Fernando Magre, respectivamente.
 
No total, são 18 cenas em que os 14 integrantes cantam em coro e solos, tocam instrumentos (melódicos, harmônicos e de percussão como rabeca, zabumba, caxixi, triângulo, agogô) e atuam narrando trechos do livro de Melo Neto que transformou o auto de Natal em poesia visceral da condição desse retirante nordestino que sai do sertão do Recife em busca de uma vida melhor. Na parte musical, um dos destaques para a montagem é a junção do regionalismo brasileiro presente nos ritmos, instrumentação e escalas tipicamente nordestinas, mas, também, nas formas composicionais características da música sacra europeia, como o "recitativo"  e "fuga" a quatro vozes, estilo do período barroco usado na música litúrgica.
 
Desafio cênico
O resultado da junção musical e cênica deste projeto é fruto da parceria com o diretor de teatro da Funcart (Fundação Cultura Artística de Londrina), Silvio Ribeiro, responsável pela direção cênica de todos os espetáculos anteriores do grupo. No entanto, esta montagem exigiu muito mais dos integrantes pela dramaticidade do texto, bem diferente de tudo o que já haviam feito. O diretor precisou extrair dos cantores uma interpretação que não ficasse caricata e, ainda, unir a música ao texto, agregando diversas linguagens artísticas. Para tanto, as amarrou na história narrada pelo rio Capibaribe, que descreve as regiões por onde Severino caminha e conta a realidade dos outros nordestinos que, assim como ele, sofrem as privações impostas pela miséria, fome e seca que refletem numa espécie de morte social.
 
A obra
No auto de Natal Morte e Vida Severina escrito por João Cabral de Melo Neto, o personagem Severino sai do sertão do Recife em direção ao litoral fugindo da vida sofrida que levava. No caminho, encontra diversos outros nordestinos em situação semelhante ou pior, pois já estão mortos. Assiste à seca do rio Capiberibe e pensa em desistir, mas continua firme tentando fugir da morte. Continua a jornada pela Zona da Mata, região que aparenta prosperidade, porém, mais uma vez, se depara com a morte. Por fim, chega ao Recife, onde a ideia de tirar a própria vida passa pela cabeça, vontade que só desiste ao saber do nascimento de seu filho, reafirmando que a persistência da vida se mostra como a única a maneira de vencer a morte. A narrativa já foi enredo para espetáculos, filmes, trilha sonora e animação em quadrinhos o longo de seis décadas.
 
Trajetória do grupo
Fundado em 2010, o “Grupo Vocal Entre Nós” é formado, em sua maioria, por alunos e ex-alunos de diversos cursos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), principalmente, do curso de Música e, conta, atualmente, com 14 cantores. No início, o objetivo do grupo era o estudo da interpretação de arranjos vocais próprios para a formação de grupo vocal, inspirado em arranjadores de destaque como Marcos Leite, Pablo Trindade e Celso Branco. Após quatro anos de trabalho apenas vocal, o grupo passou a realizar um trabalho independente e com uma proposta interdisciplinar, unindo, então a música ao teatro em suas apresentações, algo que além de enriquecer o trabalho realizado, trouxe um novo público. Desde então, já montou quatro espetáculos, dentre eles “Conversa de Botequim”, “Entre Nós in Concert”, “O Grande Circo Místico” e “Censurar Ninguém se Atreve”, todos com preparação vocal de Monique Kodama e direção cênica de Silvio Ribeiro.
 
O amadurecimento e desenvolvimento do grupo, definitivamente, se mostra a cada nova apresentação e nas parcerias realizadas com grandes eventos como o Festival Internacional de Música de Londrina (FIML) - no qual foi responsável pelo coro de base da montagem de coro cênico em 2016, e Festival Internacional de Londrina (FILO), fazendo parte da programação da mostra local. A mais recente conquista e reconhecimento foi o prêmio no Festival Internacional de Corais de Curitiba (Cantoriba 2018), em que o grupo foi vencedor na categoria Música Popular Avançado e, ainda do prêmio geral, atingindo a maior pontuação do concurso, que teve a participação de importantes grupos do Brasil como Projeto Guri (Piracicaba/SP), Neojiba (Salvador/BA) e Grupo UPA (Porto Alegre/RS) e Coral Brasília (Brasília/DF). 
 
Serviço:
“Morte e Vida Severina” com Grupo Vocal Entre Nós
Quando: 15 de novembro (quinta-feira), às 20h30
Onde: Teatro Ouro Verde (rua Maranhão, 85)
Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)*
 
*Ingressos à venda na Funcart -  av. Souza Naves, 2.380/ BRAVI Academia Orquestral - rua Prof. Samuel Moura, 507/ Thais Makeup - rua Maranhão, 344 - loja 10/ Teatro Ouro Verde - rua Maranhão, 85 no dia da estreia (15/11)
 

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