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Fotógrafa londrinense acompanha famílias e o crescimento de bebês ao eternizar em imagens momentos íntimos

29.01.2019 19:17 / POR Layse Barnabé de Moraes

Fotógrafa londrinense acompanha famílias e o crescimento de bebês ao eternizar em imagens momentos íntimos

Do que você tem saudade? A pergunta abre o Instagram da fotógrafa londrinense Gabi Gouvea, que trabalha com fotografia documental e tem dividido na rede social os momentos íntimos de muitas famílias.

Arquiteta por formação, a fotografia surgiu para a Gabi muito antes de escolher qual curso seguir, quando ela ganhou no aniversário de 10 anos a sua primeira câmera analógica, uma Yashica:Eu sempre fui muito observadora e sempre tive a mania de ‘fotografar com os olhos’ pra não esquecer das cenas, então, pensando bem, foi aí que tudo começou!”.


A fotógrafa Gabi Gouvea

Ela conta que, desde a adolescência, sempre foi muito saudosista e que coloca nesse sentimento a responsabilidade por querer registrar seus próprios momentos e os momentos das amigas:acredito que a partir daí a plantinha da fotografia já estava semeada”.

Apesar da semente plantada, Gabi ficou muito tempo sem fotografar, fez faculdade e trabalhou na área por anos até perceber que precisava fazer algo que realmente fizesse sentido pra ela: “Em 2015, quando morava em Barcelona, comecei a fotografar tudo que achava que ia sentir saudade quando eu voltasse pro Brasil... mas acabei voltando e trabalhando na área de arquitetura por um tempo. Foi ali que a minha crise emocional começou e resolvi que precisava trabalhar com o que fizesse real sentido pra mim. Em 2017 voltei pra Espanha por uns meses e voltei a fotografar as pessoas nas ruas. No final da viagem fiquei hospedada por um mês inteiro em um lugar típico das famílias europeias e foi lá que comecei a observar tudo o que acontecia e fotografar sem eles perceberem! Era tanta foto legal que eu comecei a pesquisar sobre fotografia documental, tanto de rua quanto de família. Foram meses estudando sobre isso e descobri um universo que eu não tinha ideia que existia”, conta ela.

O mood das suas fotos de hoje é consequência dessa experiência europeia e de muita inspiração:A pegada de hoje é resultado da fotografia de rua que eu fazia na Europa e minha primeira inspiração foi a maravilhosa Vivian Maier, fotógrafa dos anos 50 e 60. No Instagram, pra mim, as melhores fotos e referencias são: @storyanthology, @jupiterhuephotography e @meg_nlo”, divide ela.

O momento do dia que vai deixar saudade

Daí pra frente, Gabi tem feito um trabalho de acompanhamento de bebês e crianças (inspirada pelo trabalho do Renato D’Paula e Daniel Freitas, que acompanham famílias durante 24 horas), bem voltado para a fotografia documental, mostrando o desenvolvimento não só dos pequenos, mas da família toda. “Eu sempre falo para as mães pensarem no momento do dia que elas já imaginam que vão ter saudade e é isso que eu fotografo. Minha maior motivação é poder dar pras famílias o gostinho de ter o registro desses momentos únicos, que elas sabem que uma hora vai passar, mas que as fotografias vão estar ali pra sempre”, explica ela.

Segundo ela, o acompanhamento não tem idade e atualmente ela tem fotografado de bebês recém-nascidos a crianças de cinco anos, por exemplo. O que importa, de fato, é o desejo de ter esse tipo de recordação: “Uma vez por mês eu vou fotografar. O trabalho dura uma hora e é bem tranquilo, porque eu procuro não interferir em nada! Não tem direção, não tem pose... eu só vou ficar ali quietinha registrando tudo o que acontecer, durante uma hora, uma vez por mês. O que é mais legal do acompanhamento é ver a evolução deles nas fotos, porque mostra desde a hora do banho dos babies até quando começam a comer, andar, interagir e assim vai...”.

Apesar de 90% do seu trabalho atual ser voltado para o acompanhamento, a Gabi também faz ensaios únicos, mas não esconde sua preferência e a predileção por construir junto aos clientes uma relação de intimidade: “Eu penso que o fato de ter famílias fidelizadas, que acreditam realmente no meu trabalho, é mais gratificante e inspirador. Hoje eu acompanho desde famílias até amigas que querem ter registro dos filhos crescendo juntos e uma vez por mês se reúnem pra eu fotografar! Meu objetivo sempre foi ser a fotógrafa dA família e não uma fotógrafa dE família”.

Sobre o olhar

Ao fotografar tantas famílias, Gabi conta que o que mais a inspira a enxergar com carinho e eternizar esses momentos é o olhar das crianças para as mães e a espontaneidade captada em tantos momentos:Pode cair o mundo e acontecer mil coisas em volta deles, mas o olhar das crianças para as mães é sempre o mesmo e é maravilhoso! Conseguir registrar sentimentos reais em fotos do dia a dia sem que eles percebam é o que mais me inspira e me faz querer cada vez mais divulgar esse tipo de trabalho”.

Entre as muitas histórias que ela ajuda a contar, ela destaca a de Nicole, uma das mães que mais a marcaram até hoje: No primeiro ensaio ela me contou que teve um AVC há alguns anos e que o movimento de uma das mãos dela ainda não tinha voltado. Aquilo me deixou pasma, afinal ela é super nova e, depois que ela me contou tudo, eu passei a reparar mais ainda na força dela com a Maria Eduarda (a baby). O que eu acho mais lindo (e eu sempre me emociono) nas duas é que a Duda entende quando a Ni precisa ir mais devagar, na hora de trocar ou fazer movimentos específicos e a força que uma transmite pra outra é sensacional de fotografar! Sou muito feliz em poder registrar essa fase delas”.

Gabi conta que o público de Londrina ainda não está tão acostumado com esse tipo de registro e não é todo mundo que leva numa boa essa presença de um terceiro na casa, no quarto e até mesmo no banheiro! No entanto, a recompensa, grande e impagável, são fotos que passam intimidade, naturalidade e, claro, muito amor: “Eu realmente acredito nesse tipo de fotografia porque eu vejo que poder guardar pra sempre a rotina deles mostra a essência sincera da família e é sempre linda!”.

 



 

 

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