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Pitágoras Estética

Volta ao mundo em Londrina: a beleza e o sabor da simplicidade artesanal na França da Nelson Boulangerie

22.02.2019 11:56 / POR Layse Barnabé de Moraes

Volta ao mundo em Londrina: a beleza e o sabor da simplicidade artesanal na França da Nelson Boulangerie

Joie de vivre é uma expressão francesa que significa, ao pé da letra, alegria de viver. A frase dá conta de explicar aquilo que sentimos ao passar uma tarde na Nelson Boulangerie, desfrutando de delícias artesanais da panificação francesa, mas com o esmero, o cuidado e a atenção ao detalhe típicos da cultura japonesa... França + Japão? Aguenta aí que a gente já explica...

Boulangerie nada mais é do que “padaria” em francês. Mas muito mais do que um nome, ser uma boulangerie envolve muitas outras coisas... Tudo na Nelson é artesanal - mas artesanal mesmo, seguindo os padrões das boulangeries francesas, que são rigorosas e têm até mesmo uma legislação própria para garantir que tudo seja de fato da melhor qualidade.

Fundada por Nelson Kataoka em 1997, a Nelson Boulangerie começou na Souza Naves e lá ficou até 2003, quando se mudou para o Bela Suíça, num charmoso pedaço da Av. Madre Leônia, onde se mantém até hoje sob os cuidados da filha de Nelson, Laís Kataoka, e de seu marido, Pablo Valentini.

 

O passado e o presente

A história de Nelson Kataoka, descendente de japoneses que se encantou pela panificação francesa, é curiosa e cheia de beleza e propósito: “A Boulangerie surgiu de um dilema ético da vida do Seu Nelson”, conta Pablo. “Ele era veterinário, trabalhava numa cooperativa e era um dos responsáveis pelo manejo das aves quando se deparou com uma recusa de um cliente do Japão, que não aceitou um lote de carne porque considerava que tinha muito aditivo químico e era impróprio para o consumo humano. Essa situação o fez pensar... ele tentou propor mudanças, mas não foram acatadas, então pediu pra ser desligado da empresa e foi em busca de algo que pudesse fazer e que realmente acreditasse. E nisso ele foi para o Japão! Foi como um resgate às raízes... ele foi para voltar de lá com uma ideia. Tudo isso está documentado em cartas”, conta Pablo.


Nelson, criador da Nelson Boulangerie, é homenageado e eternizado no espaço

Foi aí que Laís, então com 11 anos, e sua mãe, Mary Kohatsu, visitaram-no por lá. Foram elas que se encantaram com as padarias japonesas: “Era muito diferente do que a gente encontrava por aqui naquela época. Eu fiquei maravilhada com aqueles pães”, conta Laís. Como ele era veterinário, lá ele foi atrás de um curso para fazer pães em formato de animais, que inclusive ainda estão entre as opção do Nelson Boulangerie, tirando sorrisos de clientes de todas as idades.

“A cultura europeia, e sobretudo a cultura francesa, é muito valorizada no Japão. Eu não esperava que no Japão a gente pudesse encontrar uma panificação tão avançada... Assim como em todas as áreas, o povo japonês vai até os mínimos detalhes, muitas vezes superando até o original. E na panificação não é diferente. No Japão, há muitas padarias muito acima da média de qualquer uma que você pode encontrar no mundo”, explica Pablo.

A partir disso, Nelson se dedicou realmente a aprender a panificação. A dificuldade de ser estrangeiro fez com que ele se esforçasse ainda mais e se destacasse: “Logo depois do curso, ele virou ajudante dos professores e foi aí que ele aprendeu mesmo”, contam Pablo e Laís.

A ideia que ele foi buscar tinha, finalmente, sido encontrada: ele abriria uma padaria aqui no Brasil ao retornar. Por isso, ele passou antes pela Europa para conhecer e se aprofundar ainda mais nessa arte. Naquela época, o Nelson foi um dos pioneiros da panificação especializada não só aqui na região, mas no Brasil. Hoje, Laís e Pablo compartilham a responsabilidade de seguir com o legado do Nelson, de ética e comprometimento com a panificação: “Tem detalhes da produção que só eu e a Laís fazemos. Somos nós que batemos a massa, por exemplo. Deve ser a gente. É assim que tem que ser porque foi o modelo que o Nelson colocou e é isso que a gente quer manter”.

 

Boulangerie de verdade


As gôndolas recheadas de delícias

“Às vezes, alguém pode olhar e achar que a nossa referência à cultura francesa é algo meramente estético e superficial, mas não é. É muito mais profundo do que isso: é a essência. A gente busca a relação com o alimento com ética, respeito e rigor. A questão de estar escrito ali boulangerie quer dizer tudo isso que a gente está falando. Não é só um nome. Quer dizer muita coisa. A panificação que a gente conhece no mundo se inspira em grande parte na panificação francesa – ela ainda é o grande berço do que se conhece como panificação artesanal no mundo inteiro. A cultura francesa se preocupa com toda a cadeia produtiva, desde o começo até a hora de servir, no capricho e na beleza. Mesmo na disposição dos pães, por exemplo, há todo um cuidado. Nosso estilo das gôndolas, tipo self-service, é inspirado nas padarias japonesas. Por outro lado, os ingredientes e o feitio seguem a boulangerie francesa. E se a gente fala que é uma boulangerie, a gente segue as normas francesas”, Laís e Pablo esclarecem.

Com tantas opções que existem lá na Nelson, como croissant, brioche, madeleine, pain au cholat e baguette, fica difícil de não ser transportado para Paris em plena cidade de Londrina: “A gente fala brincando, não é um pain au chocolat, é uma passagem para Paris”, Pablo brinca.

Além das delícias expostas nas gôndolas para que cada um se sirva daquilo que sentir vontade, podendo comer lá ou levar para casa, a Nelson Boulangerie passou a oferecer recentemente o sanduíche parisiense jambon beurre (R$ 14): “Há muito tempo a gente queria colocar sanduíches. As pessoas pedem”, contam eles. Esse sanduíche, que é muito famoso na França, mais consumido que qualquer tipo de hambúrguer, é na verdade muito simples: “a gente quis trazer ele exatamente pela simplicidade. Então é o pão, que tem um papel muito importante, o presunto e a manteiga, com o picles, que é um detalhe. Nosso presunto é artesanal, um pernil cozido em ervas, com referência francesa. A partir do momento que você se habitua com o alimento artesanal, quando você dá um passo atrás e come um produto industrial, seu corpo sente a diferença. Isso faz parte da nossa ideia de buscar, a partir do simples, o sublime. Conseguir aproveitar bem a beleza e o sabor da simplicidade de ingredientes”.


O sanduíche Jambon beurre

Vai lá:

Nelson Boulangerie: Av. Me. Leônia Milito, 446 - (43) 3321-3954

Aberto todos os dias, exceto domingo, das 9h às 19h

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