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Escritores londrinenses que você precisa conhecer e ler

10.06.2019 13:54 / POR Mariana Paschoal

Escritores londrinenses que você precisa conhecer e ler

A cidade de Londrina é conhecida por várias coisas e, certamente, a literatura deveria ganhar mais destaque. Escritores de qualidade nasceram, viveram e usaram essa terra como inspiração de suas obras e às vezes os deixamos de lado para focar em livros que não têm o selo "pé-vermelho" de qualidade. Que tal virar os olhos mais para a nossa terra?

Para te incentivar a ler algumas das coisas que foram produzidas por aqui, preparamos uma lista de escritores de Londrina e região que você precisa conhecer e ler:

Domingos Pellegrini

O romancissta, contista, cronista, poeta, jornalista e publicitário Domingos Pellegrini é um dos nomes mais conhecidos da literatura londrinense. Natural de Londrina, cidade em que nasceu em 1949, teve o primeiro livro lançado em 1977: "O Homem Vermelho", que se trata de uma coletânea de contos. Com a obra, Pellegrini ganhou o Prêmio Jabuti, um dos mais importantes prêmios da literatura no país. Em 2000, o escritor lançou outra obra que foi digna do mesmo prêmio: O Caso da Chácara Chão.

Em seu currículo, existem mais de 30 obras publicadas entre contos e romances.

Edison Maschio

Edison Maschio também é um dos principais nomes da literatura londrinense e dedicou sua vida literária a livros-reportagem que denunciavam escândalos da cidade. Suas obras mais célebres na região são "Escândalos da Província" (1959) e "Raposas no Asfalto" (1974). A primeira obra é considerada o primeiro romance totalmente escrito, ambientado e publicado em Londrina e revela alguns segredos obscuros da vida privada dos principais nomes da região na época.

Edra Moraes

Outro grande nome da literatura londrinense é Edra Moraes. Nascida em Londrina no ano de 1964, a estreia de Edra na literatura foi em 2010, com o livro de poesia "Da divina, humana e da profunda". Em 2016 a autora londrinense lançou a segunda coletânea de poesia chamada "Para ler enquanto escolhe feijão". Além de escritora, a londrinense também é produtora e curadora cultural. Confira um de seus poemas que, nesse caso, é sobre a sua cidade natal:

Londrina

Londrina é terra vermelha
e como eu queria te dizer que é de paixão
mas não é
Londrina tem um pôr do sol que sangra
tingindo de vermelho o céu
Em Londrina se pisa sobre o solo vermelho
Se transpira sob o céu vermelho
Londrina tem uma bandeira vermelha
e como eu queria te dizer que é de paixão
mas não é
este vermelho é sangue, é vivo,
é rio que corre nas minhas veias
Caigangues, Botocudos, dos meninos Mbyá, Nhandéva e Kaiová que atravessaram o caminho
É sangue das meninas ainda sem menstruação
tiradas de suas famílias para servir aos burgueses
É sangue de operário que caiu do vigésimo andar
e da família que morreu sem assistência
Londrina é vermelha porque um rio de sangue de inocentes
não se represa com leis, IPTU alto, gabinetes, terno e gravata
Londrina é vermelha de tanto moca e sangue
das mãos que colhiam o fruto sem direito a seu líquido
Londrina é vermelha de sangue, das Estelas/Estrelas,
que ao subir deixaram aqui seu sangue e nunca foram vingadas
Londrina é vermelha, mas não é de paixão
Londrina não é território sem lei, é pior que isto
Londrina: a lei é de quem derrama o sangue

José Maschio

O premiado jornalista pé vermelho, José Maschio, lançou em 2013 o livro-reportagem "Crônica de uma Grande Farsa" que tem como temas centrais a corrupção política e a impunidade. Em 2017, foi a vez do escritor lançar “Tempos de Cigarro sem Filtro”. A obra mostra a ditadura militar vivida pelo Brasil sob a ótica de pessoas que moram na periferia. O romance se passa na década 70 e conta a história de Jaso e Maria, um casal unido pela miséria e que vive em meio a desigualdades sociais e econômicas.

O extenso currículo do jornalista e escritor já mostra a qualidade de suas obras: José Maschio trabalhou na imprensa alternativa de resistência à ditadura, na imprensa sindical, em emissoras de TV e na grande mídia nacional. Foi repórter da Folha de São Paulo e o primeiro repórter a divulgar, em nível nacional, a remessa ilegal de divisas do país, as famosas CC5, que culminaram na CPI do Banestado, no Congresso Nacional, e resultou em uma força tarefa do Ministério Público Federal. Tem dois prêmios Wladimir Herzog e, em 2007, ganhou o prêmio Folha por denunciar um esquema de favorecimento a presos ligados a Fernandinho Beira Mar no presídio federal de segurança máxima de Catanduvas (PR).

Renato Forin Júnior

Jornalista, dramaturgo, ator e diretor: Renato Forin Júnior, nascido em Ibiporã, é tudo isso! Em 2017, o escritor recebeu um dos maiores prêmios da literatura nacional, o prêmio Jabuti pelo livro-CD "Samba de uma Noite de Verão". A obra é uma adaptação do texto "Sonho de uma Noite de Verão", de William Shakespeare e é uma “metáfora da formação do Brasil a partir das dores e prazeres de um dos seus ritmos mais miscigenados: o samba".

No mesmo ano, "OVO" - outro texto dramatúrgico de sua autoria - foi campeão dos Prêmio Literários 2017, promovido pela Fundação Cultural do Pará.

Maurício Arruda Mendonça

Outro londrinense que tem várias habilidades é Maurício Arruda Mendonça. Ele é dramaturgo, tradutor, poeta, música e diretor teatral. Nascido em 1964, o escritor já publicou mais de quinze livros que abragem a poesia, o teatro, o conto e a pesquisa historiográfica.

Mendonça tem três prêmios internacionais: ele recebeu, por duas vezes, o prêmio Fringe First Award, concedido pelo jornal The Sctosman (Escócia) pelas peças "A Marca da Água" (2013) e "O Dia em que Sam Morreu" (2014). Também em 2014, o dramaturgo e escritor recebeu o prêmio "Coup de Coeur" do Clube de La Presse no Festival de Teatro de Avingnon, na França.

Confira um dos poemas do londrinense:

Harpas do vento

Não foram as harpas do vento
a serenizar a noite inquieta
em que te encontras suspenso
no pêndulo de uma solução.
Como é miserável a conclusão
tardia a resposta
que a bem da verdade você
até já conhecia & se enchia
até não poder mais de tanto eu.
Não foram as harpas do vento
foram asas de anjos chapantes
descaindo, deslizantes
em pleno quintal
ao eterno entardecer de agosto
e do resto
dos loucos varridos
pelo vendaval.

Rodrigo Garcia Lopes

Rodrigo Garcia Lopes tem múltiplas facetas quando se trata de literatura: ele é poeta, tradutor, compositor, editor, professor e jornalista. Natural de Londrina, onde nasceu em 1965, o autor publicou a primeira coletânea de poemas em 1994, chamada "Solarium". Nela, Lopes faz um compilado da poesia que escreveu na década anterior. "Visibilia" e "Polivox" foram os livros seguintes. Em 2001, o escritor lançou um CD de canções e de poesia sonora também chamado "Polivox".

Como tradutor, o escritor londrinense reescreveu em português poemas de grandes nomes da literatura como Walt Whitman, Sylvia Plath e Arthur Rimbaud.

O trabalho mais recente do autor em poesia é o livro "Nômada". Lopes também se aventura na prosa com "O Trovador", livro que mistura ficção com realidade e conta um pouco da história de Londrina como um thriller policial.

Para ter um gostinho de como Rodrigo Garcia Lopes escreve, confira um de seus poemas:

GUARUJÁ SALEM

linchada por um boato
numa tarde de sábado
mundo-barbárie
fabiane
ainda ergue a cabeça
para um último olhar
à multidão de agressores
filmando com celulares
e smartphones

Wilson Moreira

Se você acha que o trabalho de agente penitenciário, a formação em ciências sociais e a poesia não combinam, reveja seus conceitos. Pois é tudo isso que o poeta londrinense, Wilson Moreira, é. Em janeiro deste ano, o autor lançou seu sexto livros de poemas: "Prisão dos Dias - a poética da angústia".

O tema central da obra são as nossas batalhas internas, as dificuldades e as limitações do ser humano no dia-a-dia.

Em todas as suas obras, o trabalho como agente penitenciário e a formação em ciências sociais pela UEL exercem uma grande influência já que proporcionaram ao autor uma visão elaborada da sociedade.

O primeiro livro lançado por Moreira se chama "Estilhaços de uma vida em Espiral". A segunda coletânea de poemas do paranaense é a "Vagando pelas Horas". Confira um de seus textos:

Dos Amores Guardados

Nossas lutas
Insanas
No cotidiano
Nossos tropeços
Silenciando
Gritos
Nossa imensa dor
De corações
Magoados
Nossa busca
Incessante
Por prazer
Nos salva
Os amores
Que o futuro
Guarda

Por aqui já deu um comichão para ler todos os livros desses autores e por aí? Com qual você gostaria de começar?