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Crianças de ocupação de Londrina aprendem a fazer fotos analógicas

24.10.2019 15:40 / POR Mariana Paschoal

Crianças de ocupação de Londrina aprendem a fazer fotos analógicas

Registrar a realidade em que vivem: essa é a oportunidade que crianças e adolescentes moradores do Residencial Flores do Campo têm com o grupo FotoFlores. O grupo foi formado em abril deste ano para ensinar e promover a prática da fotografia analógica aos jovens de 10 a 15 anos que vivem na ocupação, localizada na região norte de Londrina.

A iniciativa foi do fotógrafo e advogado Gabriel Melhado. Desde que o grupo foi formado, os participantes se reúnem todos os sábados para registrar em imagens como é crescer no Flores do Campo. A experiência é viabilizada pelo compartilhamento de algumas câmeras analógicas e rolos de filmes doados ao projeto. O resultado é a captura de imagens espontâneas do cotidiano da ocupação. Um garoto e seu cachorro, amigos soltando pipa, a mira com o estilingue ou o chão de terra: tudo vira objeto para as lentes dos jovens. Com isso, busca-se o enriquecimento cultural dos integrantes, a criação de laços de solidariedade e pertencimento, além da produção de novas narrativas sobre o bairro.

Melhado relata que os encontros tiveram início de forma natural, por interesse dos próprios moradores. “Um dia, vim até o Flores para acompanhar um evento e, quando estava tirando as fotos, alguns meninos e meninas se aproximaram e comentaram que também gostariam de fotografar. Desde então, temos nos reunido semanalmente para realizar alguma atividade relacionada à fotografia”.

A opção pelas máquinas analógicas, tão incomuns em tempos de mídias sociais e celulares com câmeras de alta resolução, se deu pela dinâmica envolvida no processo. “O número limitado de cliques exige uma atenção e um discernimento bastante grandes do fotógrafo. Outro fator é a expectativa gerada pelo tempo entre disparar o obturador e ver a foto tirada. Isso tudo enriquece e potencializa a criatividade de quem está por trás das lentes”, avalia.

O mentor do grupo destaca que, até a data da exposição, os participantes irão intensificar as atividades com aulas de revelação e passeios fotográficos pela cidade. Depois, junto a profissionais da área, eles mesmos farão a curadoria das imagens a serem exibidas, acompanharão os procedimentos de impressão e emolduragem e, finalmente, ficarão encarregados da montagem da mostra. “Em resumo, irão conhecer de perto todas as etapas do processo artístico e técnico envolvido. Enquanto isso, o trabalho do FotoFlores pode ser conferido no perfil do projeto no Instagram”, explica.

Apoie a mostra fotográfica do FotoFlores

A maneira como as crianças e adolescentes do Flores do Campo enxerga o mundo não pode ficar guardada em uma gaveta. E é por isso que o FotoFlores está em busca de recursos para a realização da sua primeira mostra fotográfica, que poderá apresentar a todos os londrinenses o incrível trabalho feito por essa turma. Por meio da plataforma Benfeitoria, no endereço www.benfeitoria.com/fotoflores, os apoiadores podem contribuir com valores entre R$ 15 e R$ 500, que serão recompensados com fotos exclusivas e de tamanhos variados feitas pela turma. A campanha ficará no ar até o dia 14 de novembro e deseja arrecadar R$ 6 mil. A quantia será utilizada para imprimir e emoldurar as imagens selecionadas para a exposição, além de adquirir mais rolos de filmes.

Segundo o idealizador da iniciativa, o fotógrafo e advogado Gabriel Melhado, a exibição dos cliques está prevista para ocorrer entre os dias 7 e 8 de dezembro, primeiramente na própria ocupação. Em seguida, o material – composto por cerca de 50 fotografias impressas em alta qualidade – será exposto em outros espaços públicos e particulares que queiram receber a mostra. A proposta itinerante visa diversificar e ampliar o público espectador, lançando novos olhares sobre o Flores do Campo.

Sobre o Flores do Campo

Ocupado no dia 2 de outubro de 2016 por famílias de baixa renda na luta por moradia, o residencial teve as obras abandonadas pela construtora responsável pelo empreendimento no início do mesmo ano. Projetado para abrigar 1.218 unidades habitacionais entre casas e apartamentos através do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, o bairro sofre com a falta de equipamentos públicos como escolas e posto de saúde. As ações da polícia no local também são alvo constante de reclamação dos moradores, que acusam os agentes de truculência nas operações.

Com informações de Danylo Alvares/assessoria de imprensa
Fotos: FotoFlores